5 de abr de 2011

Reza

Prometi à mim mesma que não mais ia negar essa melancolia, nas noites em que ela me visita abraço-a e me torno uma só a dançar envolta em breu, e meu corpo magoado vai oscilando ao som do réquiem de um amor.

(Percebo que o sangue dos meus cortes é uma mistura de quando entreguei minha essência a outro alguém.)

Que agora eu seja fluida como a água, e que a água do meu corpo flua pelos olhos até me secar.

(... levando consigo a amargura que me afoga.)

Assumo a dor e o ódio que moram em meu interior,

(Na minha alma existe uma maldade como a de um cão agredido.)

o meu animal se tornou um monstro cruel e passou a me canibalizar.

(Ele me agride por não mais me pertencer.)

Afago-me amansando-o aos poucos, amansando-me de mim mesma.

E se mesmo assim eu não conseguir, tenho aqui as palavras que me refugiam.

(E como em uma oração, peço-as que me protejam, porque procuro a fé que há tempos míngua em meu coração.)

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