Com os olhos entreabertos e a mente nublada de sono, minhas mãos procuram instintivamente pelo calor da tua pele. E meus lábios levam-me aos teus para que possa te experimentar mais uma vez - contigo sempre parece diferente, mesmo que teu beijo seja tão marcante e teu gosto, característico - . Gosto de adormecer em teu corpo e vezemquando espiar, sempre encontro esses olhos castanhos profundos a me fitar. Colo teu corpo no meu e sinto o hálito familiar a me roçar no rosto, a necessidade de me fazer parte tua é tão grande que tenho vontade de fundir-me a ti.
28 de jun. de 2011
5 de abr. de 2011
Tácito
(Cruzo com seu olhar que me agarra a sanidade e sou sua por instantes, mal disfarço e confesso que quero mais de você. A ideia do seu cheiro doce me invadindo como um feitiço, a delícia que deve ser ver sua boca entreaberta esperando pelo encaixe da minha. Imagino se suas mãos agem num carinho discreto ou num toque brusco... e se talvez me peçam para ir mais além ao deixar marcas, um pedido mudo de desafio. Quantas vezes já não imaginei qual seria a textura da sua pele?
Dá-me sua garganta que tanto me atrai os lábios; sua voz, seus sons. Eu prometo segurar minha sede e ser paciente... tomar meu tempo te ouvindo, te despindo, te adorando. Descobrir suas expressões, seus arrepios. Compreender com o que tanto divaga. Se me escuta, quem sabe confidencio meus desejos, torno-me parte dos seus. O que eu não faria para te ter?)
Reza
Prometi à mim mesma que não mais ia negar essa melancolia, nas noites em que ela me visita abraço-a e me torno uma só a dançar envolta em breu, e meu corpo magoado vai oscilando ao som do réquiem de um amor.
(Percebo que o sangue dos meus cortes é uma mistura de quando entreguei minha essência a outro alguém.)
Que agora eu seja fluida como a água, e que a água do meu corpo flua pelos olhos até me secar.
(... levando consigo a amargura que me afoga.)
Assumo a dor e o ódio que moram em meu interior,
(Na minha alma existe uma maldade como a de um cão agredido.)
o meu animal se tornou um monstro cruel e passou a me canibalizar.
(Ele me agride por não mais me pertencer.)
Afago-me amansando-o aos poucos, amansando-me de mim mesma.
E se mesmo assim eu não conseguir, tenho aqui as palavras que me refugiam.
(E como em uma oração, peço-as que me protejam, porque procuro a fé que há tempos míngua em meu coração.)
22 de mar. de 2011
Ataque
Nessa fúria louca, finalmente dei conta de cuspir as palavras que me fazem enferma. Meu corpo frágil e meu coração moribundo pronunciam-se por mim: gélidos, duros, afiados mas verdadeiros.
Lembra-se das coisas lindas que um dia te disse, meu amor? Recorda-se do que te prometi? Reclama da dor, mas a verdade é que fere a si mesma. A verdade é que eu mantive minha palavra e você não suportou, fraquejou ao perceber o quão complexo pode ser estar com alguém. E contudo eu sempre estive ao seu lado, silenciosa, invisível, agonizante enquanto você recorria a mim inconscientemente, a contragosto de si mesma, fui eu que te sustentei. E não diga que não sente, não diga que é mentira, porque sei que ao menos me odeia. Mas saiba que fui aonde ninguém mais iria por você, passei por uma depressão suicida, andei pelo limbo e voltei inteira. Ouvi suas palavras e seus incontáveis silêncios, mostrei a cara ao seu tapa e você me virou as costas. Não teve nem a decência de concluir o que começou e já fugiu. Fiz papel de tola, querida, mas não de fraca, ao menos fui até o final. Eu lutei por você até não ter mais forças; e é isso que você me faz? Vamos, vire-se e me olhe nos olhos, admita logo que já é muito tarde e estou cansada de resistir ao que é óbvio.
Você nos destruiu.
12 de fev. de 2011
...
Os anos passam e eu amadureço de uma forma cruel, recuperando pedaços e emendando emoções já tantas vezes estilhaçadas. Me sinto antiga e um pouco exausta, o corpo dói e o coração, às vezes, chora. Ainda há a frustração de não mais me inspirar. Vai ver estou ficando rígida das tantas pancadas que levei, meu sentimento já não vai à flor da pele e eu não perco o compasso da minha tranquilidade. O gosto que eu tinha de me emocionar foi-se, as palavras que antes me eram fluidas agora se misturam e perdem sentido – ou sou eu a embaralhada? - . E dessas minhas catarses paradoxais surgiu uma verdade que me deu um tapa seco e ardido na cara... Eu, objeto gritante, me vi estupefata e muda.
Não, não entregue-se a ninguém.
Tarde demais, faltam tantos pedaços que fiquei meio quebradiça.
1 de nov. de 2010
...
27 de out. de 2010
Preciosidade
2 de set. de 2010
...
Dirijo uma pergunta ao meu universo: Porquê o mundo?
Exijo uma resposta científica para as emoções, as espontaneidades, tudo irracional. Há lógica?
...Há o quê então?
Cigana
Seus pensamentos emergiam uns sobre os outros - colidindo-se, confundindo-se - dando-a um semblante de loucura meio lúcida, meio fantasiosa. Sua sede era tempestuosa a ponto de se tornar destruidora. A procura ávida tornou-a cruel. Sem pausa nem descanso, algo em seu peito jogava-a para frente. Quando a sensação moribunda aumentava, ela matava. Questionando respostas inexatas, emoções instáveis.
Ela não aprendeu a agarrar seus desejos sem estrangulá-los, sem sentir-se estrangulada.
7 de ago. de 2010
...
Mural
30 de jul. de 2010
Tensão superficial
20 de jun. de 2010
Carnalidade
Bem querer
E mais: eu puramente te desejo. Não só seu beijo, como seu abraço e seu sorriso. É tão peculiar que se for um terço, dois terços, metade ou inteira, se me der, eu aceito. Sim... É assustador demais não depender, não necessitar. Só querer. Afinal acho que te quero tanto, mas tanto... que tanto faz.
Esse desejo desenfreado eu permiti, porque se quisesse, eu o estrangulava como fiz com tantos outros. Decidi por deixá-lo alojar-se em mim por não me consumir – como o parasita se nutre do hospedeiro ou como o viciado em abstinência – pelo contrário: causa calma e aconchego, é anseio transparente com o qual eu sei lidar. É um friozinho bom no ventre, uma quentura no coração.
...Te querer me faz bem.
17 de jun. de 2010
Bicho ferido
E escorraçada, eu me eriço taquicárdica, violenta, violada.